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08
Jun14

...

Carta do Rogério à miúda da mota

 

"Olá miúda, como vai essa vida?
Pergunto-te isto de forma despida, destemida.
Sei que te perguntas como vou também
É normal entre os dois, mas vou bem
Já agora, lembraste daquele nosso momento a sós
Era de noite, verão, a tua mota e nós
Quando começamos com as carícias
E como te contava que esse sinal fazia-me as delícias
Ali, bolinha no canto da boca, classificação para adulto
Esse momento foi bom, nossos corpos num só vulto
Roçar-nos ao chão de terra batida
Fazer valer todos os anúncios pro-sida
Rasgar-te as roupas com as minas próprias mãos
Tirar essa escuridão que tinhas vestida
Simples, animal e suados estávamos naqueles chãos
Gemindo para a luar agarrados, por um orifício unidos
Bradando aos céus como era bom o amor
Desligando o pensar e só sentir, bons momentos vividos
Ainda hoje me alegram, dão-me ao dia mais cor
E o cheiro, consegues-te recordar?
Cheiro a combustível e cabedal
Ambos polvilhados com um aroma a pele ao natural
Com aqueles momentos anteriores ao coito
Começando no sussurrar na orelha
Confessar-te onde durmo, onde acordo, onde pernoito
Largaste um sorriso, deu para notar na sobrancelha
Acho que foi o clique, deu para ligar
Ligamos os dois na verdade, logo ali, cumplicidade
Oral é uma palavra simples, foi um acto de puro entregar
Assim, os dois, mostrando quem faz o quê
Era uma reedição, o "Tu, Harley e eu"
Eu a apreciar terreno, tu com um pé já no céu
Veio até ti um tempo mais tarde
Deixando o teu corpo sentir o climax que arde
Poro a poro, a fervilhar-te no corpo
Extasiada no chão tu de postura solta
Eu, deitado de sentir, estando satisfeito e morto
De prazer, que invadia assim o meu ser
Com as mais variadas sensações, formas e feitios
Querias um miúdo de olhos azuis, eu meti-os
Pediste loiro, tentei deixar mais claro
Tu, que preferias em cima da mota que o capô do carro
Eu, que achava-te um mistério,
Sabias que o meu nome, decoraste o Rogério
Depois disso chamavas-me por vezes para ir a ti
E agora não dizes nada, que é feito de ti
Tenho sempre dificuldade em inquirir
Porque depois de tanto prazer, como deixei-te ir?
Mas a vida segue, como os ventos, os rios
As memórias ficam, ainda dão arrepios
De gosto, de tantos dias bem disposto
Composto, de facto a sorrir
Miúda da mota, porque decidiste fugir?
São perguntas que tinha de te fazer
Desculpa se fui directo, mas é o que tem de ser
Não espero obter resposta, é uma carta retórica
Para ti, uma personagem histórica
Na minha mente.
Ai que momento, que ardente.
Assim me despeço de ti e da tua harley
E dos momentos que presenciei
Com um beijo, um abraço e uma carícia
Deixando-te a minha assinatura
Que ainda ... perdura."

- Rogério "Pen-Pal" Caçarola

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