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25
Jun15

...

"A equação é simples: Quatro vezes quatro vezes dois
Quatro pernas, da cama, da gente, da cómoda com a sebenta
Dois os humanos, praticando judo entre os lençóis
Infinito o tempo com tudo... em... câmara... lenta...

 

Sussurrando no ouvido sem entender o que se diz
Ouve-se sim o estalar dos ossos sobre pressão
Seja deitados, em pé ou sentados com as mãos nos quadris
Há uma dança involuntária, um acasalamento pagão
Um jogo de cartas entre o rei e a dama
Um filme sem câmara, dois famosos sem fama
Tudo se resume àquele momento único, ao espaço rectangular
Com cobertura de sensações, há apenas um ofegante respirar

 

Com um toque leve, começando no gémeo direito
Lentamente perna acima, sensível como pluma
A mão segue na perna, agarrando suavemente e com jeito
Com dois dedos esticados, manias de quem fuma,
Não tem a certeza sobre qual território explorar
Sem saber o que experimentar, decide inovar
Com naturalidade, atento aos gestos dela
Como se ele fosse um cão, e ela o tivesse pela trela

 

Ela deixa de assistir, passa ao modo agir
Roda-o, parece uma bússola à descoberta
De presa a leoa prestes a rugir
Vai ser um bom jogo pela certa

 

Olhar superior, postura magistral
Ela não lhe vai perdoar o seu desejo
E com um movimento rápido e preciso, ataca-o ao beijo
Ele desistiu de resistir, ela já conhece o quintal
Os movimentos são simples, rápidos e de prazer
As reacções são gemidos, a luxúria é o poder
Saciam-se mutuamente, sem desperdiçar nenhum pedaço de nada
Esperando que o sintam, o momento do corte da espada
O instante que perdura segundos, que liga os dois mundos
O dela, satisfeita, o dele, que também não a rejeita
Assim são dois corpos descompostos
Ao mundo da intimidade expostos
Entregues um ao outro sem saber
Apenas querendo um binómio: amor e prazer."
- Rogério Caçarola

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