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10
Out14

...

"Ah, sua tola, sua carteira tola
Nem sabes tu que te estudo
Que és para mim tão deliciosa como uma virgem
Tão afrodisíaca que me deixas tesudo.
És uma simples portadora de cartões, papel e metal
Mas estás sempre em simbiose comigo
Junto à minha nádega, sua porca, até me deixas informal
Perante os meus superiores. Mas sem ti também consigo
Viver tranquilamente, apelando a sentimentos distantes
Olhando à volta e inspirando a fragrância das amantes
Ou mesmo vivendo do ódio, esse tolo cego
Que por vezes me invade - não o nego.
Negativa é a minha paciência quando ficas vazia
De vísceras à mostra, como um cão lingrinhas,
Ou mesmo como um gato que não mia
Caralho pá, és-me mesmo necessária no fim de contas
Sejam essas de somar ou não, em quadrados ou em linhas,
Mas tu é que me puxas a estas coisas, a estes lugares
Bancos, agiotas, familiares ricalhaços, donos da máfia
Está na altura de te encheres, ficar cheia e parares
Seres tão grande que passas a ser um saco de ráfia
Cheio de amor, sexo e dinheiro, também com algumas notas
de crédito, coisas várias, desde que sejam benefícios
Bons, esses, podem ficar, torna-se vícios
Mas até lá és só minha amiga, nem minha companheira
és, só mesmo uma queca ao pagar, coisa sorrateira
Sem ninguém perceber, sem gemeres no bolso de trás
Porque sou só eu que sei do que és capaz"
~ Timóteo Mecenas

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