Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


21
Out16

...

"Caminhas no fogo que criaste e deixaste

Trilhas destinhos, sem planos ou mente

Vivendo o agora, de quem ri, chora ou sente

Num dia lua, noutro sol, todos eles só

Afastas e largas, falas e escutas

De fogo percebes, de água refletes

Alicias o tempo, encolhes o momento,

Tudo isso num instante, incessante,

Como quem foi de rompante, 

Mas deixou pó, levantou voo sem dó

Por um livro, aberto, lido, usado,

Sem a verdade escondida no gelo,

Das linhas, do ser, do cabelo,

De buraco empunhado preenches o desejado

Satisfeito, metes-te no peito

Sem data de partida, de meta cortada

És fruto da carne, és donzela safada

Que deixa o vazio na cama e almofada,

De espinhos e algodão, agridoce,

Mas quem é o sábio, que esperava que fosse,

Outra lira, outra sina, que o povo imagina

Sem um vislumbre aos demais

Que sem saber dissolvem os sais

De um vício, do gesto e desgosto

Uma ferramenta que serve para sobreviver

Independentemente do que acontecer,

Porque os muros são altos

Mas as janelas abertas

Mostrando ao mundo conquistas correctas,

E territórios anexados

Em prol do teu sustento, lamento mas alimento

Essa escuridão no interior e explendor

Porque deixaste a arte.

A arte e a dor.

 

Passeias teus ares numa sala vazia

Ainda que soltando louvores, mas causando azia

Sem intenção, é tua profissão até nas artérias,

A tempo inteiro e sem tempo para férias

De um clube diferente, o das raças.

Onde só entra quem tem muitas taças

Quem se orgulha que morde e agarra,

Quem acorda e dorme com garra,

A ensinar os cegos, os brandos, nas praças

É de quem será um dia de peito cheio a raçuda

Mas agora é professor quem te vê no que faças

É guerreiro o corajoso que te estuda,

Que te cala escutando-te muda."

- Rogério "Marroquino" Caçarola

Autoria e outros dados (tags, etc)

"Não te vou procurar, sei que estás por aí
Imagino o local, mas não saias daí
Seja longe, perto ou mesmo ao meu lado
Sendo este último um extenso e vazio prado
Onde sem famas nem leões caminhas
Com sonhos e ambições te alinhas
Pensando no amanhã como sendo do outro
Ou no ontem como sendo mouco
Rouco e louco, talvez isso até seja pouco
Face às memórias, essas imundas
Que habitam-te as células, as mais profundas
Tapam-te as cicatrizes com plumagem leve
Foste a miragem, o elixir que não se bebe.
 
Nunca existiu noção mas havia emoção
Diria até que houve paixão,
Aquela que não sai, desfila à diva
Que petrifica morta e mata viva
Eras branca, eras franca, eras cega
A qualquer colega, mas quem não nega
Que ser assim é ter um lar
Acolhedor, tranquilizador,
Um eterno mar
Com águas límpidas, novas e puras
Lavaste-me a alma e as feridas ainda suturas
Mas as amarguras contrariam as doçuras
Repetindo incansavelmente no dia
E na noite, existindo, nenhum de nós a pedia
Limpa ou murcha, mas sim colorida
E nutrida mas sem comida, enfraquecida
Pela investida da nossa vida assim partida
Culpa dividida, união temida
Como inicio marcado e fim adiado
Para o fim dos dias,
Com fotos dessas, onde te rias.
 
Palpita, palpita, menina bonita
Eras flor de sal, eras excentricidade banal
Eras a tal
Mas tudo deu mal,
Ou bem dará
Ninguém saberá
Só o tempo o dirá."
- Rogério Caçarola

Autoria e outros dados (tags, etc)

25
Jun15

...

"A equação é simples: Quatro vezes quatro vezes dois
Quatro pernas, da cama, da gente, da cómoda com a sebenta
Dois os humanos, praticando judo entre os lençóis
Infinito o tempo com tudo... em... câmara... lenta...

 

Sussurrando no ouvido sem entender o que se diz
Ouve-se sim o estalar dos ossos sobre pressão
Seja deitados, em pé ou sentados com as mãos nos quadris
Há uma dança involuntária, um acasalamento pagão
Um jogo de cartas entre o rei e a dama
Um filme sem câmara, dois famosos sem fama
Tudo se resume àquele momento único, ao espaço rectangular
Com cobertura de sensações, há apenas um ofegante respirar

 

Com um toque leve, começando no gémeo direito
Lentamente perna acima, sensível como pluma
A mão segue na perna, agarrando suavemente e com jeito
Com dois dedos esticados, manias de quem fuma,
Não tem a certeza sobre qual território explorar
Sem saber o que experimentar, decide inovar
Com naturalidade, atento aos gestos dela
Como se ele fosse um cão, e ela o tivesse pela trela

 

Ela deixa de assistir, passa ao modo agir
Roda-o, parece uma bússola à descoberta
De presa a leoa prestes a rugir
Vai ser um bom jogo pela certa

 

Olhar superior, postura magistral
Ela não lhe vai perdoar o seu desejo
E com um movimento rápido e preciso, ataca-o ao beijo
Ele desistiu de resistir, ela já conhece o quintal
Os movimentos são simples, rápidos e de prazer
As reacções são gemidos, a luxúria é o poder
Saciam-se mutuamente, sem desperdiçar nenhum pedaço de nada
Esperando que o sintam, o momento do corte da espada
O instante que perdura segundos, que liga os dois mundos
O dela, satisfeita, o dele, que também não a rejeita
Assim são dois corpos descompostos
Ao mundo da intimidade expostos
Entregues um ao outro sem saber
Apenas querendo um binómio: amor e prazer."
- Rogério Caçarola

Autoria e outros dados (tags, etc)

08
Jun14

...

Carta do Rogério à miúda da mota

 

"Olá miúda, como vai essa vida?
Pergunto-te isto de forma despida, destemida.
Sei que te perguntas como vou também
É normal entre os dois, mas vou bem
Já agora, lembraste daquele nosso momento a sós
Era de noite, verão, a tua mota e nós
Quando começamos com as carícias
E como te contava que esse sinal fazia-me as delícias
Ali, bolinha no canto da boca, classificação para adulto
Esse momento foi bom, nossos corpos num só vulto
Roçar-nos ao chão de terra batida
Fazer valer todos os anúncios pro-sida
Rasgar-te as roupas com as minas próprias mãos
Tirar essa escuridão que tinhas vestida
Simples, animal e suados estávamos naqueles chãos
Gemindo para a luar agarrados, por um orifício unidos
Bradando aos céus como era bom o amor
Desligando o pensar e só sentir, bons momentos vividos
Ainda hoje me alegram, dão-me ao dia mais cor
E o cheiro, consegues-te recordar?
Cheiro a combustível e cabedal
Ambos polvilhados com um aroma a pele ao natural
Com aqueles momentos anteriores ao coito
Começando no sussurrar na orelha
Confessar-te onde durmo, onde acordo, onde pernoito
Largaste um sorriso, deu para notar na sobrancelha
Acho que foi o clique, deu para ligar
Ligamos os dois na verdade, logo ali, cumplicidade
Oral é uma palavra simples, foi um acto de puro entregar
Assim, os dois, mostrando quem faz o quê
Era uma reedição, o "Tu, Harley e eu"
Eu a apreciar terreno, tu com um pé já no céu
Veio até ti um tempo mais tarde
Deixando o teu corpo sentir o climax que arde
Poro a poro, a fervilhar-te no corpo
Extasiada no chão tu de postura solta
Eu, deitado de sentir, estando satisfeito e morto
De prazer, que invadia assim o meu ser
Com as mais variadas sensações, formas e feitios
Querias um miúdo de olhos azuis, eu meti-os
Pediste loiro, tentei deixar mais claro
Tu, que preferias em cima da mota que o capô do carro
Eu, que achava-te um mistério,
Sabias que o meu nome, decoraste o Rogério
Depois disso chamavas-me por vezes para ir a ti
E agora não dizes nada, que é feito de ti
Tenho sempre dificuldade em inquirir
Porque depois de tanto prazer, como deixei-te ir?
Mas a vida segue, como os ventos, os rios
As memórias ficam, ainda dão arrepios
De gosto, de tantos dias bem disposto
Composto, de facto a sorrir
Miúda da mota, porque decidiste fugir?
São perguntas que tinha de te fazer
Desculpa se fui directo, mas é o que tem de ser
Não espero obter resposta, é uma carta retórica
Para ti, uma personagem histórica
Na minha mente.
Ai que momento, que ardente.
Assim me despeço de ti e da tua harley
E dos momentos que presenciei
Com um beijo, um abraço e uma carícia
Deixando-te a minha assinatura
Que ainda ... perdura."

- Rogério "Pen-Pal" Caçarola

Autoria e outros dados (tags, etc)


calendário

Maio 2017

D S T Q Q S S
123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031